Quem pode eticamente publicar livros de Ellen White?

Todos os livros de Ellen G. White publicados em inglês até 1923 são hoje de domínio público, mas as compilações publicadas a partir de 1924 continuam protegidas pelas leis de direitos autorais. As editoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia têm os direitos autorais assegurados das traduções, com base nas respectivas legislações locais, mesmo que tais traduções sejam de livros que em inglês já estejam em domínio público. Ainda que uma pessoa tenha direito legal de republicar livros de Ellen White em domínio público, ela não tem o direito ético de assim proceder, pois em âmbito mundial a Associação Geral (instância administrativa mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia) reconhece apenas o Ellen G. White Estate como o devido detentor de tais direitos, bem como as editoras denominacionais às quais o White Estate confia o direito de tradução e publicação.

Portanto, apenas os chamados Depositários do Patrimônio Ellen G. White têm o direito e a responsabilidade de lidar com os textos da autora e/ou autorizar a publicação deles. Ir contra essa determinação é contrariar a vontade da própria Ellen que, em 9 de fevereiro de 1912, assinou um testamento em que deixa isso muito claro (ver Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor, p. 569-572). Nesse mesmo testamento, ela escreveu: “Determino que meu corpo seja sepultado com as devidas cerimônias religiosas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sem aparato nem ostentação”, afirmando, assim, sua confiança profética na igreja à qual dedicou toda a sua longa e produtiva vida e à qual legou suas milhares de páginas de instruções, conselhos e advertências.

Certa ocasião, o irmão S. N. Haskell encorajou Ellen White a permitir a publicação do livro Primeiros Escritos por uma editora que não pertencia à Igreja Adventista. A ideia era boa: fazer com que a obra tivesse maior circulação. Quando estava prestes a assinar o contrato, Ellen parou, olhou para cima e disse que não poderia prosseguir. Depois que os representantes da editora foram embora, o filho William White protestou e ela então explicou que, quando olhou para cima, viu um anjo movendo a cabeça negativamente. “Tenho medo de qualquer plano que tire o trabalho das mãos de nossas editoras, pois isso pode diminuir a confiança de nossos irmãos nessas importantes agências para a disseminação da verdade presente”, disse ela (Carta 106, 1908).

No Brasil, a Casa Publicadora Brasileira é a editora autorizada pelo White Estate para traduzir e publicar os textos de Ellen White, e tem feito isso com empenho há vários anos, de tal forma que quase todos os livros da autora estão hoje disponíveis em língua portuguesa. Além disso, em anos recentes, foram produzidos e lançados boxes com vários livros dela a preços extremamente baratos, isso para permitir que os irmãos possam ter e ler os testemunhos.

Há Minicentros White sendo implantados em milhares de igrejas e, para facilitar o acesso e a pesquisa, todos os livros de Ellen estão disponíveis em diversas línguas gratuitamente em sites e aplicativos.

Finalmente, um texto de Ellen White para reflexão:

“Sei que o Senhor ama Sua Igreja. Ela não deve ser desorganizada ou esfacelada em átomos independentes. Não há nisto a mínima coerência; não existe a mínima evidência de que tal coisa venha a se dar. Aqueles que derem ouvidos a essa falsa mensagem e procurarem fermentar outros, serão enganados e preparados para receber mais avançados enganos, e virão a nada. Há em alguns dos membros da Igreja orgulho, presunção, obstinada incredulidade, e recusa a ceder em suas ideias, embora se amontoe prova sobre prova, que faz aplicável a mensagem à igreja de Laodiceia. Mas isso não extinguirá a Igreja. Deixai que tanto o joio quanto o trigo cresçam juntos até à ceifa. Então os anjos é que farão a obra de separação” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 68, 69).

Michelson Borges