Quem é o Arcanjo Miguel?

“Fundamentados nas semelhanças que a Bíblia apresenta entre as características da missão do Arcanjo Miguel com as de Cristo, podemos concordar como outros comentaristas, como João Calvino e Matthew Henry, que identificam Miguel.”

Dentro do contexto da Bíblia Sagrada, que, sem sombra de dúvida, é a fonte de informações mais segura e confiável sobre angelologia, encontramos uma série de declarações que, comparadas e confrontadas, nos levam a pensar que o Arcanjo Miguel é o próprio Cristo. Apocalipse 12:7 declara que “houve guerra no Céu” e que “Miguel e Seus anjos lutaram contra o dragão”. Daniel 8:25 diz que “por sua astúcia nos seus empreendimentos fará prosperar o engano;[…] levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes”. Na versão parafraseada da Bíblia na Linguagem de Hoje, diz que “ele desafiará a Deus, o Rei dos reis”. E segundo Apocalipse 19:16, Jesus Cristo é o Rei dos reis.

Daniel 12:1 enfatiza que “nesse tempo se levantará Miguel, o grande Príncipe…”; Daniel 9:25 refere-se ao Ungido como sendo o Príncipe, nestas palavras:

“… desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe…”. E no versículo 26, fala que o Ungido, ou o Príncipe do versículo 25, será morto. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará…” (Daniel 9:26).

Quem é este Ungido? A resposta está em Lucas 4:17 e 18, onde Jesus, referindo-Se à profecia de Isaías 61:1 e 2, fala de Si mesmo nestas palavras: “O Espírito Santo está em Mim, pelo que Me ungiu…”

♦ “O Espírito do Senhor Jeová está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-Me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” (Isaías 61:1 e 2).

♦ “E foi-Lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados do coração” (Lucas 4:17 e 18).

Atos 10:38 e 39 declara, de maneira mais direta, quem é este Ungido, com as seguintes palavras: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele. E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-O num madeiro.”

Atos 4:26 diz que “levantaram-se os reis da Terra e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o Seu Ungido…” – Aqui não se trata de qualquer ungido, mas do Ungido, o Messias.

Atos 5:30 e 31 acrescenta que “o Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes… Deus, porém, com a Sua destra o exaltou a Príncipe e Salvador…”

Quem poderia ser, pois, Miguel de Apocalipse 12:7; Miguel, vosso Príncipe, de Daniel 12:11; Miguel, o grande Príncipe, de Daniel 9:25?

Porventura a resposta não estaria em Apocalipse 1:5? Está escrito:

“E de Jesus Cristo, que é a Testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos, e o Príncipe dos reis da Terra…?” – (Versão Trinitariana, Edição Revista e Reformulada segundo o original Hebraico e Grego).

Corroboram esta versão também as versões da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, a New York: American Bible Society e Holy Bible, Translated From The Latim Vulgate, Bélgica. (Wilson Sarli, Anjos Exércitos Invisíveis de Luz e Poder, 2.ª ed., 2000, pág. 339).

Quem é o Arcanjo Miguel mencionado em Judas 9?1 Muita especulação surgiu através dos tempos, nas tradições judaicas e cristã, sobre a natureza e obra dos anjos, bem como sobre a identificação do Arcanjo Miguel. Na literatura pseudo-epígrafa, por exemplo, Miguel é apresentado como um dos sete anjos celestiais (1 Enoque 20:1 a 7; 81:15; 90:21 e 22; Tobias 12:15), e um dos quatro que se encontram mais próximos do trono de Deus (1 Enoque 9:1; 40:1 a 10; 54:6; 71:8, 9 e 13). Essas tradições extrabíblicas têm sido usadas por muitos comentaristas contemporâneos para alegar que Miguel é apenas um anjo, criado por Deus, que exerce a função de principal líder das hostes angélicas.

Nas Escrituras, Miguel, cujo nome significa “Quem é como Deus?”, é descrito como:

♦ “Arcanjo” (Judas 9);

♦ o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os seus anjos maus (Apocalipse 12:7);

♦ “um dos primeiros príncipes” (Daniel 10:13);

♦ “vosso Príncipe” (Daniel 10:21);

♦ “o grande Príncipe”, o defensor dos filhos do teu povo” (Daniel 12:1);

Uma análise detida dessas expressões, dentro do contexto bíblico, deixa claro que Miguel é apresentado no texto sagrado como um Ser divino, cujas características refletem a glória messiânica do Antigo Testamento.

Miguel é apresentado em Judas 9 como o “Arcanjo” que, na disputa “a respeito do corpo de Moisés” (Deuteronômio 34:5 e 6), enfrentou o diabo com as palavras: “O Senhor te repreenda!” Essa alusão identifica Miguel como o “Arcanjo do Senhor” que, na contenda sobre o “sumo sacerdote Josué”, disse igualmente ao diabo:

“E me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do Anjo” (Zacarias 3:1 a 3).

É interessante notarmos que, tanto em Zacarias 3 como em Gênesis 22:11 a 18, Juízes 6:11 a 24, Juízes 13; e Atos 7:30 a 40, o Anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Senhor!

Em Apocalipse 12:7, Miguel e Satanás são apresentados em direto antagonismo, num conflito cósmico que se originou no Céu, e que se estende ao longo da história humana (Apocalipse 12; Apocalipse 20). O Novo Testamento esclarece que esse conflito polarizou-se entre Cristo e Seus seguidores e Satanás e seus adeptos. Ver:

♦ Mateus 4:1 a 11
♦ João 12:31 e 32; Colossenses 1:9 e 16
♦ Efésios 6:10 a 20 João 14:30

Já em Daniel 10:13, 21 e 12:1, Miguel é chamado de “Príncipe” e “o grande Príncipe”. Em todo o restante das Escrituras, quando não aplicado a seres humanos, o título “príncipe” é usado exclusivamente para Cristo ou para Satanás, mas nunca para qualquer outro ser angelical (ver Josué 5:14 e 15; Isaías 9:6; Daniel 8:11 e 25; Daniel 9:25; Atos 5:31; João 12:31 João 14:30; 16:11 Efésios 2:2).

Em Josué 5:14 e 15, o Senhor Se apresentou a Josué como “Príncipe do exército do Senhor”, aceitando adoração, o que seria uma blasfêmia se esse Príncipe fosse apenas um anjo (ver Mateus 4:10; Apocalipse 22:8 e 9), e ordenando que Josué tirasse as suas sandálias porque o lugar se tornara santo (comparar com Êxodo 3:4 a 6; Atos 7:30 a 33). No próprio livro de Daniel, Cristo é chamado também de “Príncipe do exército” (Daniel 8:11) e “Príncipe dos príncipes” (Daniel 8:25).

Uma das características básicas do conteúdo profético do livro de Daniel é a “repetição para ampliação”. Cada uma das quatro grandes seções proféticas do livro emprega símbolos diferentes para descrever a mesma sequência profética, culminando sempre com a manifestação gloriosa de Cristo para a implantação do Seu reino eterno. Essa manifestação de Cristo é simbolizada em Daniel 2, pela pedra cortada sem auxílio de mãos (versos 34 e 35; 44 e 45; comparar com Atos 4:11; Efésios 2:20; 1 Pedro 2:4 e 8); em Daniel 7:13, pelo aparecimento do Filho do homem (comparar com Apocalipse 19:11 a 21).

E, finalmente, em Daniel 12:1, pela vinda de “Miguel, o grande Príncipe, defensor dos filhos do teu povo” (comparar com Salmo 91). Alegar que Miguel seja um simples anjo significa quebrar o paralelismo estrutural do livro.

Fundamentados nas semelhanças que a Bíblia apresenta entre as características da missão do Arcanjo Miguel com as de Cristo, podemos concordar como outros comentaristas, como João Calvino e Matthew Henry, que identificam Miguel como Cristo e não um simples anjo (ou um ser criado).

Fonte: Biblia.com.br

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1 A partir desse ponto o texto foi extraído de Alberto R. Timm, Revista Sinais dos Tempos, agosto de 1998, pág. 29.