O que preciso saber sobre o adultério? (Parte 1)

“No sétimo mandamento, Deus nos evita de formarmos “uma só carne” num relacionamento extra-conjugal, o que nos levaria a “alianças fantasmas”. Ao dizer “Não adulterarás”, Deus está protegendo você do engano e da frustração alheia.”

Em abril de 1912, após o Titanic bater num iceberg, cerca de duas mil e trezentas pessoas encararam a morte face a face. Não havia botes salva-vidas suficientes para todos. Apenas mil e cem pessoas poderiam abrigar-se em meio às águas congelantes do Oceano Atlântico. Um oficial dizia com insistência: “Apenas senhoras e crianças entrem no bote. Depressa! Não temos um segundo sequer a perder”. Num impulso, o oficial agarrou o braço de uma pequena anciã, Isidora Strauss, e empurrou-a em direção ao bote. Ela olhou para o oficial e apontou para o marido. “Os homens tem de ficar atrás. Somente mulheres e crianças!” disse o oficial antes de Isidora pronunciar qualquer palavra.

Sem nenhuma hesitação, a senhora deu um passo para o lado, saiu do bote e foi para o lado do esposo. Ela não deixaria sozinho aquele com quem esteve casada tanto tempo. Tomou-lhe a mão e vinte minutos depois, abraçados, desapareceram nas águas geladas daquele oceano. O casamento foi instituído por Deus no Éden antes da entrada do pecado. A Bíblia diz: “Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gênesis 2:21 e 22). Imagine a alegria de Adão ao ver Eva, que era “osso dos seus ossos e carne de sua carne”? Foi nesse encontro maravilhoso que Deus instituiu o casamento como união sagrada e perpétua.

Se você ainda não é casado, é muito provável que você já tenha ido a um casamento, certo? Que dia inesquecível! Apesar da agitação dos parentes e ansiedade dos noivos, é um dia memorável. O cheiro das flores, as luzes da igreja, a orquestra que aplaude, os convidados que lhe abraçam… Tudo isso serve para levar duas pessoas, um homem e uma mulher, a uma aliança. Isso mesmo, aliança! Você não pode se esquecer delas, viu? São para vida toda! A Bíblia diz que o esposo faz uma aliança interna (no hebraico = berit, que significa “ligar um ao outro; amarrar”) com a sua esposa (Malaquias 2:14 e 15) e esta é ratificada pela união sexual, onde os dois tornam-se uma só carne (Gênesis 2:24).

Você sabia que todas as alianças mencionadas na Bíblia são efetivadas pelo derramamento de sangue? Desde a morte do primeiro cordeiro na porta do Éden até a nova aliança de Cristo na cruz, está presente o sangue. E no casamento não é diferente. A aliança é feita na primeira relação sexual do casal, onde ocorre o rompimento do hímen na mulher e por consequência, há o derramamento de sangue. A Bíblia diz: “Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne” (1 Coríntios 6:16). No sétimo mandamento, Deus nos evita de formarmos “uma só carne” num relacionamento extra-conjugal, o que nos levaria a “alianças fantasmas”. Um autor disse que o sexo é a “cola da alma” e ao fazê-lo com pessoas diferentes, você estará “tecendo uma teia que o enreda e que, de um jeito ou de outro, voltará para assombrá-lo” (Loron Wade, Os Dez Mandamentos, p. 65). Ao dizer “Não adulterarás”, Deus está protegendo você do engano e da frustração alheia. Como disse Carlos Drummond de Andrade: “No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam”.

Há alguns anos, o álbum de família era composto por pai, mãe, filhos. Hoje, o quadro mudou: o que parece pai é o padrasto. O filho não está na foto, pois foi morar com o pai. E a menina? Viu como está vestida? O rapaz ao lado é o namorado dela. Está morando com a “família”. É… Eles não se casaram. A mãe diz que eles estão se conhecendo. Nessa foto, todos estão sorrindo. Mas no dia a dia, é um “pé de guerra”. Como essa família ficou desse jeito? A tragédia começou por causa de uma infidelidade.

Infelizmente, esse é o retrato de muitas famílias hoje. O que deveria ser um jardim para o crescimento de nossos filhos, se transformou numa selva hostil e densa. Por quê? O casal se esqueceu de oferecer ao seu cônjuge o presente principal do casamento: fidelidade. Além disso, as famílias têm aberto brechas para Satanás entrar e fazer o que bem quiser. Em latim, adultério quer dizer “alteração, adulteração, colocar uma coisa em lugar de outra, crime de falsidade, uso de chaves falsas, contrato falso”. É isso o que acontece quando violamos o dom da sexualidade e do compromisso conjugal dados por Deus.

A pureza sexual pode ser comparada a um vaso de cristal valiosíssimo, que ao ser quebrado, dificilmente poderá ser recuperado. Você pode até colar as peças, colocar flores, mas nunca mais será o mesmo. O sétimo mandamento, então, protege a nossa família e nos leva a usar a “chave certa”. É o antídoto contra a frustração. Sobre o casamento, a Bíblia diz: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio” (Hebreus 13:4).

Fonte: Biblia.com.br